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Uvas produzidas na Zona da Mata Norte abastecem o mercado nordestino com apoio do IPA

publicada em 14-06-2000

Elas nascem em pequenos cachos, são esféricas, possuem tons arroxeados, quase negros, e produzem duas safras anuais. No entanto, o que pouca gente sabe, é que as uvas denominadas Izabel – alguns afirmam ser uma homenagem à princesa redentora, responsável pela libertação dos escravos em 1888 - são verdadeiras fábricas de medicamentos naturais. Seu consumo in natura ajuda a reduzir o colesterol, prevenindo as doenças cardiovasculares, é antioxidante, combatendo os radicais livres que provocam o envelhecimento, e são excelentes no tratamento das úlceras do sistema digestivo.

Mais surpreendente ainda, é que as uvas Izabel encontradas na grande maioria dos supermercados e feiras livres do Rio Grande do Norte a Sergipe são uma das bases da economia familiar, junto com a cultura da banana, de municípios como São Vicente Ferrer e Macaparana, ambos no Vale do Siriji, Zona da Mata Norte pernambucana. Em meio à paisagem acidentada, cortada por serras íngremes, os parreirais se multiplicam há aproximadamente um século, quando para cá foram trazidas pelos portugueses.

Os campos de cultivo, explorados pelos pequenos agricultores locais, dão um colorido diferente à paisagem exuberante, com grandes áreas ainda preservadas de Mata Atlântica, com fauna e flora quase intocadas. A cultura divide lugar ainda com o maracujá, a pitanga e a goiaba, mostrando que nem só da cana-de-açúcar vive a Zona da Mata pernambucana.

O presidente do IPA, Júlio Zoé de Brito, já determinou a realização de estudos para a introdução de outras variedades na região, ampliando a oferta. Incentivador de todas as cadeias produtivas do Estado, o secretário de Agricultura e Reforma Agrária, Ranilson Ramos, tem voltado os olhos para a região e assegura que é preciso dar aos pequenos produtores rurais, que por séculos viveram do corte ou de pequenas áreas cultivadas com cana-de-açúcar, oportunidades de diversificar suas lavouras, como o que está sendo realizado com o Programa de Revitalização da Cultura do Algodão, em Surubim e 16 outros municípios tradicionalmente voltados ao seu cultivo.

 

Em meio à surpresa de encontrar longe do Vale do São Francisco uvas de qualidade e sabor incomparáveis, está seu José Ivanildo Cavalcanti de Farias.Tag Heuer Best Replica Watches Em apenas um hectare, ele consegue retirar mais de 15 toneladas de uvas, em duas colheitas, alcançando um lucro líquido de R$ 8 mil.

A receita gerada com as vendas corresponde a 50% dos recursos investidos nos tratos culturais, como adubação orgânica e química, correção do solo, fungicidas e irrigação. O negócio que passou de pai para filho e já vai para a terceira geração é tão lucrativo que a ideia é aumentar a área plantada em mais um hectare, em duas etapas de 0,5 ha, nos próximos dois anos.

“Toda nossa produção, assim como as de nossos vizinhos abastece exclusivamente o mercado nordestino, indo de Natal a Aracaju”, orgulha-se. Para ele, além de uma alternativa de renda à cultura da banana, tradicional na região, a uva é uma oportunidade de ganho extra, uma vez que, apesar da produção ocorrer duas vezes por ano, pode ser programada para acontecer em épocas distintas, alcançando melhores preços. “No verão o quilo sai, em média, por R$ 0,80, já no inverno, ultrapassa os R$ 2,00”, comemora. 

A propriedade, tocada por ele e a mulher, além de dois empregados, é um oásis de fartura na Mata Norte, historicamente mais pobre do que a Mata Sul. De acordo com o diretor do escritório do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) em São Vicente Ferrer, José de Souza, o município concentra 90% dos parreirais da região, com cerca de 500 ha. Macaparana, logo ao lado, vem em segundo, com 50 ha.

O gerente Regional do IPA em Surubim, Francisco Lopes, também aposta na cultura como fonte de renda para os agricultores de base familiar. Os parreirais são incentivados na região e recebem assistência técnica do IPA, que acompanha todos os processos, desde os estudos de viabilidade - com as análises e correção do solo -, até os tratos culturais. A presença efetiva dos técnicos na região tem ajudado a soerguer a economia da Mata Norte, pontilhada por engenhos de açúcar abandonados e trabalhadores da palha da cana sem alternativas de renda.

Processamento – Se por enquanto o fruto é vendido aos atravessadores que cuidam da distribuição, inclusive para grandes redes de supermercados, no próximo ano, as uvas devem ganhar valor agregado. O produtor e, também fabricante de polpa de maracujá, já está se preparando para iniciar o beneficiamento da fruta. Numa câmara fria, hoje usada para conservar as frutas, ele pretende estocar a polpa industrializada para distribuição no mercado nordestino.

O projeto, que deve ser iniciado em 2012, tem animado Pedro Coutinho, mais conhecido como Peu, um dos maiores negociantes de uva da região. É importante agregar valor ao produto e mostrar que as uvas pernambucanas não vêm apenas do Vale do São Francisco. “Afinal, a uva Izabel só é encontrada no Vale do Siriji e no Sul do País,” afirma.  


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