24 de novembro de 2016

Feira de Troca de Sementes Crioulas debate conservação em Garanhuns

A 3ª Feira de Troca de Sementes Crioulas ocorre nesta quinta-feira (24), das das 8h às 15h, no Parque Euclides Dourado, em Garanhuns. Com o tema “Sementes Crioulas: Patrimônio da Agricultura Familiar”, o evento reunirá integrantes de bancos comunitários de sementes da região, além de organizações da sociedade civil, órgãos públicos e visitantes vindos de todas as regiões do estado. A entrada é gratuita. A mostra é realizada pela Rede de Sementes Crioulas do Agreste Meridional de Pernambuco (Rede SEMEAM), com apoio do Instituto Agronômico de Pernambuco .

Além da exposição e trocas de sementes, a programação do evento conta com palestras, oficinas e atrações culturais. No período da manhã, será lançado o manual “Metodologia para Formação de Bancos Comunitários de Sementes”, que faz parte da Coleção de Extensão Rural Nº 04, do IPA. Também será discutida a criação de um Programa Piloto de Distribuição de Sementes Crioulas e Formação de Bancos Comunitários de Sementes no Agreste Meridional de Pernambuco. À tarde, será realizada uma oficina intitulada “Produção de Mudas de Árvores Nativas através de Sementes”, que será ministrada pelo técnico em Agroecologia Everaldo Rodrigues, do Projeto Mata Viva.

REDE SEMEAM – Criada no ano de 2015, a Rede de Sementes Crioulas do Agreste Meridional de Pernambuco é fruto da articulação entre organizações da sociedade civil, órgãos públicos e agricultores/as familiares que participaram do processo de organização da 2ª Feira de Troca de Sementes Crioulas. Com o objetivo de ser um espaço permanente de discussão em busca do resgate e da preservação das mesmas, a Rede vem se fortalecendo através da realização de atividades, como seminário, resgate e plantio de sementes, além da participação em outros eventos sobre a temática. A Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2 é uma das organizações que compõe a REDE SEMEAM.

De acordo com o extensionista do IPA e membro da Rede, Pedro Balensifer, entre os desafios encontrados pela articulação está o da busca pela conscientização dos próprios agricultores em torno da preservação das sementes, para que eles não sejam prejudicados com a perda das variedades locais. “Sem os bancos, a probabilidade de perda e desaparecimento das sementes é muito maior, mas isso passa por um processo de sensibilização em nível comunitário para que as famílias envolvidas entendam a importância da organização e possam guardar as próprias sementes”, explicou.

De acordo com Pedro Balensifer, extensionista do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), essas sementes são o contraponto aos grãos transgênicos, que não podem ser guardados por conta da lei de patentes. “A semente crioula é uma semente de liberdade e a transgênica de dependência, já que ela não pode ser guardada para o replantio no próximo ano. Além disso, as pessoas ganham na qualidade da alimentação, já que as sementes crioulas não são modificadas. A saúde começa pela alimentação. As transgênicas não podem ser armazenadas e o agricultor fica dependente de sempre precisar comprar, anualmente, novas sementes em lojas agropecuárias”, pontuou.

Em três anos de trabalho com sementes crioulas, Balensifer já catalogou 25 variedades de feijão, 19 de fava e 06 de milho. O IPA possui um Banco de Sementes Crioulas para doações e/ou trocas, em Garanhuns, e o armazenamento pode ser feito em garrafa pet, vasos metálicos ou tambores plásticos.

Com informações da Ascom Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2

Fonte: Núcleo de Comunicação do IPA