10 de julho de 2018

Despesca pioneira de camarão marinho em água doce é realizada em Gravatá

Em uma ação pioneira, foi realizada a primeira despesca de camarões marinhos (Litopenaeus vannamei), produzidos por um carcinocultor iniciante, utilizando água doce, no município de Gravatá, em Pernambuco.

Participaram dessa atividade os extensionistas do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Gilvan Lira e Guilherme Almeida, que vêm dando assistência técnica a essa experimentação desde sua concepção, além do produtor, Cassius Carvalho, que tem investido recursos financeiros próprios nessa iniciativa e custeado a produção.

Antes de empreender nessa área, Carvalho deixou o comércio no ramo de restaurante e viu na Carcinocultura Marinha Interiorana, ou seja, cultivo de camarão marinho adaptado à águas interiores, uma oportunidade de negócio emergente, que apresenta as seguintes vantagens em relação ao litoral: maior disponibilidade de propriedades com valores imobiliários mais acessíveis; maior proximidade para atender o mercado consumidor dos municípios da região e diminuição da possibilidade de contaminação com doenças que tem afetado os cultivos de camarão na zona costeira.

O viveiro foi preparado previamente, removendo-se a matéria orgânica e corrigindo o PH do solo. Em seguida, foi abastecido por gravidade com água doce, proveniente de um pequeno açude. Algumas variáveis químicas da água, como alcalinidade, dureza, PH e condutividade foram mensuradas inicialmente, possibilitando os ajustes daquelas, que se encontravam fora dos parâmetros adotados para criação de camarões.

O povoamento de 20 mil pós-larva, ocorreu há 113 dias, sendo despescados parcialmente 2.929 indivíduos, correspondendo a 14,6% da população, com o peso médio de 14 g. A produção de 41 kilos foi vendida diretamente ao público consumidor, por um valor de R$- 30,00/kg, gerando uma receita de R$-1.230,00, que paga mais da metade dos custos de produção.

“Os resultados alcançados, até o momento, são muito positivos, pois validam a nossa primeira experimentação de campo assistida pelo Instituto, que consistiu em produzir o camarão marinho utilizando uma fonte de água doce”, afirma Gilvan Lira.

A maior parte do camarão será retirada posteriormente, de acordo com a demanda de venda, até a despesca final, que possibilitará avaliarmos a sobrevivência, produtividade e percentual de lucro desse ciclo de cultivo, permitindo também, obtermos um resultado conclusivo sobre a viabilidade produtiva e econômica. A despesca foi realizada no dia 21 de junho deste ano.

 

Fonte: Núcleo de Comunicação do IPA