13 de dezembro de 2019

Programa investirá R$ 7 milhões em inovação tecnológica para caprinocultura e ovinocultura no Semiárido

Pequenos produtores de caprinos e ovinos do Semiárido brasileiro terão, a partir de 2020, uma nova oportunidade de incremento às suas atividades. Nesta quarta-feira (11), foi assinado, em Brasília (DF), o Termo de Execução para implementação do programa Agroindústria AgroNordeste, com duração de dois anos, que destinará R$ 7 milhões para ações de incentivo à inovação tecnológica em regiões do Nordeste onde a produção de caprinos e ovinos é a principal fonte de renda. O documento foi assinado pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Tereza Cristina, pelo presidente da Embrapa, Celso Moretti, e pelo secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério, Fernando Schwanke.

O Agroindústria AgroNordeste será executado, de forma integrada, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Embrapa, com atuação nos polos produtivos de caprinos e ovinos da Bacia do Jacuípe (BA), Cariri Paraibano, Sertão de Pernambuco, Sertão dos Inhamuns (CE) e Vale do Itaim (PI). O objetivo é contribuir com soluções tecnológicas para superar desafios à produção sustentável de carne, leite e seus derivados, contribuindo para o aumento da renda nas regiões produtoras.

Além da atuação junto a propriedades rurais, o programa também contemplará o incentivo a agroindústrias, laticínios e cooperativas, beneficiando o setor produtivo de forma mais abrangente. “O programa está focado em fortalecer cooperativismo e associativismo nos territórios, tomando como referência exemplos já consolidados de produção e acesso ao mercado por parte de agroindústrias e produtores rurais. A ideia é levar a inovação tecnológica, em interação com assistência técnica e cooperativas, para alavancar esses ambientes de inovação”, destaca Marco Bomfim, chefe-geral da Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral,CE).

Entre as ações previstas para as regiões estão a implantação de estratégias para controle de parasitoses em caprinos e ovinos; a capacitação de 550 técnicos e produtores locais em temas como inseminação artificial de caprinos leiteiros, assessoramento nutricional e orçamentação forrageira; implantação de unidades com sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) para recuperação de áreas degradadas.

Os investimentos em infraestrutura nos cinco polos produtivos também garantirão um conjunto de serviços e de suporte laboratorial, como a realização de mais de 30 mil análises para mapeamento e controle de doenças; uma central de controle da qualidade do leite que dará suporte à certificação de produtos; um serviço de assessoramento nutricional para análise de alimentos e orientação na formulação de dietas para os rebanhos de pequenos ruminantes.

De acordo com Marco Bomfim, chefe-geral da Embrapa Caprinos, essa estrutura de serviços poderá garantir também um engajamento mais forte de técnicos extensionistas na construção de soluções para a atividade produtiva nas regiões. “A parceria com instituições de ensino nos territórios – universidades e institutos federais – vai estruturar serviços de apoio em que jovens técnicos poderão se envolver”, ressalta ele.

Segundo Marco, a articulação para a construção do Agroindústria AgroNordeste teve início durante a IX Semana da Caprinocultura e da Ovinocultura Brasileiras (SECOB), realizada em setembro deste ano em Sobral (CE), e contou com participação do diretor do Departamento de Estruturação Produtiva do Ministério, Avay Miranda Júnior e do secretário Fernando Schwanke. 

Para Schawnke, o desenvolvimento do semiárido passa pelo investimento na pecuária, principalmente na caprinocultura e na ovinocultura. Os recursos, de acordo com ele, serão importantes para aprimorar a produção na região e incrementar renda dos produtores. 

Agroindústria Agronordeste

O programa Agroindústria AgroNordeste prevê, em dois anos de atuação, atuar diretamente em quatro polos produtivos de cinco estados do Nordeste, abrangendo uma rota de apoio tecnológico de mais de 3.000 km, além da montagem de 20 Unidades de Referência Tecnológica. O projeto será coordenado pela Embrapa e terá como público-alvo pequenos agricultores familiares, buscando sinergia com outras políticas de apoio à atividade produtiva como o Programa AgroNordeste (MAPA), o Programa Rota do Cordeiro (Embrapa/Ministério do Desenvolvimento Regional) e o Programa InovaSocial (Embrapa/BNDES).

A partir dos estudos já realizados pela Embrapa, foram elencadas metas em seis áreas prioritárias: Controle e prevenção de doenças; Melhoramento Genético de caprinos e ovinos; Segurança alimentar dos rebanhos; Viabilidade econômica e gestão da propriedade; Agregação de valor a produtos cárneos e lácteos; Capacitação continuada e atualização tecnológica. As ações a serem desenvolvidas em cada microrregião foram baseadas nos desafios elencados;

O programa prevê também uma caravana tecnológica que percorrerá os polos de atuação do projeto, aproximando agentes de pesquisa, técnicos de extensão e produtores rurais, identificando questões que podem ser objetos de pesquisa na Embrapa e em outras instituições de C&T. Serão produzidos ainda, como apoio ao processo de inclusão tecnológica, vídeos tutoriais curtos e serão criados espaços virtuais (por meio de espaços de videoconferência), onde Embrapa, técnicos e produtores terão canal permanente de diálogo e intercâmbio de informações.

Com informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Fonte: Núcleo de Comunicação