14 de outubro de 2020

Selo Arte fortalece competitividade da bacia leiteira de PE

A formalização e a possibilidade de comercialização dos produtos artesanais pernambucanos derivados do leite em todo o País, por meio do Selo Arte, abrem uma janela de oportunidades para as queijarias artesanais de Pernambuco, responsáveis por absorver a maior parte da produção de leite do Estado. Hoje, Pernambuco produz aproximadamente dois milhões de litros de leite por dia, dos quais cerca de 60% são absorvidos pelas queijarias artesanais, 300 mil litros são destinados aos grandes laticínios do Estado e outros 350 mil litros aos estabelecimentos de médio e pequeno porte.

A criação do Selo Arte abre a possibilidade de comercialização de produtos artesanais derivados de leite (como queijo coalho, queijo manteiga, manteiga de garrafa e doce de leite), até então restrita ao território pernambucano, em todo o País. Pernambuco, o primeiro Estado do Nordeste autorizado a conceder o Selo Arte, já conta com quatro queijarias artesanais certificadas: os laticínios Polilac, de Garanhuns; São José, do município da Pedra; Mulungu, de Jupi, e Rancho Alegre Produtos Lácteos, de Pesqueira. Juntos, os estabelecimentos conseguem processar mais de 20 mil litros de leite por dia, produzindo, por mês, 31 toneladas de queijo coalho, 16 toneladas de queijo manteiga e 160 quilos de manteiga de garrafa. Outros três empreendimentos estão em processo de certificação e devem receber o Selo Arte em breve.

A certificação vem empolgando os produtores.  “O Selo Arte representa um grande avanço para os produtores locais, levando Pernambuco ao pioneirismo na venda para outros estados da federação. Mostra a força da nossa tradição e traz ainda mais segurança alimentar aos consumidores. A partir do Selo, estamos com uma expectativa de aumento de 15% nas vendas", comemora Waldemir Miranda, produtor do Laticínio Polilac, que produz queijo coalho, queijo manteiga, manteiga de garrafa e doce de leite.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado, Dilson Peixoto, o pioneirismo de Pernambuco na concessão do Selo Arte é fruto de uma série de ações que vêm sendo implantadas pelo Estado para fortalecer a bacia leiteira e as queijarias artesanais. “Só conseguimos sair na frente com o Selo Arte porque fizemos o dever de casa. Antes mesmo de o Governo Federal regulamentar o Selo Arte, o Governo de Pernambuco já vinha adotando uma série de ações para facilitar a regularização desses empreendimentos”, destaca.

O primeiro passo foi simplificar o licenciamento dos laticínios de pequeno porte, com a criação de uma planta básica para queijarias artesanais com até 250 metros quadrados e redução da taxa de licenciamento ambiental para queijarias artesanais, que chegava a R$ 4.900, para até R$ 800. As medidas possibilitaram a obtenção do certificado do Sistema Estadual de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SIE) pelas queijarias, um dos pré-requisito para a obtenção do Selo Arte. Também foi firmado um convênio com o Sebrae e AD Diper para capacitação das queijarias artesanais do Estado.

BACIA LEITEIRA

A bacia leiteira de Pernambuco engloba 27 municípios pernambucanos, com destaque para as cidades do Agreste Meridional e do Sertão do Araripe. Ao todo, o Estado possui um rebanho de 1,86 milhão de bovinos e 65 estabelecimentos lácteos registrados, sendo 16 usinas de beneficiamento de leite, sete fábricas de laticínios e 42 queijarias artesanais, além de outras 82 queijarias artesanais em processo de formalização. O Estado é o segundo maior produtor de leite do Nordeste e o oitavo do País.

O setor, como um todo, vem recebendo atenção especial do Governo de Pernambuco ao longo dos anos. Em 2019, por exemplo, após uma série de encontros com representantes da cadeia produtiva do leite, o Estado editou uma série de medidas em apoio aos produtores, como a revogação da isenção do imposto na importação de leite em pó, soro de leite e mistura láctea; criação da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados de Pernambuco; fim da concessão dos incentivos fiscais às operações com leite em pó, soro de leite e mistura láctea por centrais de distribuição, e recolhimento antecipado do ICMS na aquisição de leite líquido proveniente de outras unidades da Federação.

As medidas, segundo o secretário Dilson Peixoto, ajudaram o setor a sair da crise em que se encontrava. “Antes das medidas, o produtor familiar de leite era obrigado a vender um litro de leite por R$ 0,70, por causa da concorrência desleal com o leite em pó e soro de leite importado. Depois dessas medidas fiscais, o preço do leite in natura se recuperou e vem se mantendo entre R$ 1,20 e R$ 1,60”, afirma o secretário.

“A expectativa é que novas queijarias artesanais consigam o Selo Arte nos próximos meses, ampliando a presença dos produtos pernambucanos no mercado nacional”, fala o presidente do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Reginaldo Alves. Para isso, foi criado um grupo de trabalho entre a Adagro e o IPA para ajudar os produtores artesanais a cumprir as exigências para obtenção da certificação.

Hoje, a produção estimada de queijo no Estado é de aproximadamente 100 toneladas de queijo por dia, sendo 70% do tipo coalho e 30% do tipo manteiga, variando de acordo com a época do ano. O queijo manteiga é comum em algumas regiões do Nordeste brasileiro, enquanto o queijo coalho feito com leite cru é uma exclusividade do estado de Pernambuco.

Fonte: Ascom SDA

 

Fonte: Núcleo de Comunicação