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CULTURA DO TOMATE RASTEIRO
Edinardo Ferraz, Luciane Vilela Resende, Maria Cristina L. da Silva, Marleide Magalhães de Andrade Lima

QUAL A MELHOR ÉPOCA PARA O PLANTIO DO TOMATE ?

No estado de Pernambuco, existem condições para o cultivo durante todo o ano; porém é necessário que sejam adotados calendários de produção para se evitar o acúmulo de safras. No Vale do São Francisco, a melhor época para o plantio é de abril a junho, quando as temperaturas são mais amenas e não há o risco de chuvas fortes. No entanto, na região do Agreste, os meses mais favoráveis são julho e agosto.

QUAIS OS TIPOS DE SOLOS MAIS INDICADOS AO CULTIVO?

Os solos mais indicados são os planos e profundos, bem drenados, medianamente argilosos, com teores elevados de matéria orgânica e pH na faixa de 6,0 a 7,5. No entanto  é necessário que se proceda a análise de solo, a fim de que se possa quantificar a necessidade de aplicações de calcário, de matéria orgânica e fertilizantes.

COMO DEVE SER FEITO O PREPARO DO SOLO?

Dependendo das condições em que se encontra o  terreno, o preparo deve ser realizado por meio de operações de roçagem, aração (em torno de 40cm de profundidade), gradagem para destorroamento e sulcamento (na profundidade de 25 a 30cm, utilizando sulcador do tipo canavieiro).

QUAL O SISTEMA DE PLANTIO INDICADO?

O sistema de plantio mais indicado é o indireto, que consiste na formação de mudas em sementeiras com posterior transplante para o local definido.

QUAIS AS CULTIVARES DE TOMATE RASTEIRO RECOMENDADAS?

No Vale do São Francisco e perímetros irrigados, a cultivar Caline IPA-6 é a mais recomendada. No entanto, para a região do agreste do Estado, o híbrido SM-16 é indicado por apresentar frutos graúdos.

COMO DEVE SER O PREPARO DA SEMENTEIRA?

Existem duas maneiras para produzir mudas de tomate: diretamente em canteiros (ainda muito utilizado) e em bandejas com uso de substrato. No sistema direto de produção de mudas em canteiros, recomenda-se o semeio em 60 a 70m2. Os canteiros devem ser construídos com 1m de largura e o mais próximo possível da área do plantio definitivo. O semeio deverá ser feito em sulcos com profundidade de 2cm e espaçados de 20 cm e, utilizando 3 a 5g de sementes/m2.  Após o semeio, que deverá consumir de 180 a 300g de sementes (com germinação acima de 80%), proceder o tratamento da sementeira, conforme Tabela 1.  Posteriormente, os canteiros deverão ser cobertos com palha seca, a qual é retirada após a germinação (cerca de 4 a 5 dias após a semeadura).  Também  é  recomendado  o uso de casca de arroz para a cobertura após o semeio ou após a emergência. Aproximadamente 10 dias depois da germinação, o desbaste deverá ser realizado, deixando-se 50 a 60  mudas por metro linear (250 a 300m2). O processo de escarificação do leito da sementeira é uma prática indicada por beneficiar o desenvolvimento das mudas. As mudas também poderão ser produzidas em bandejas de isopor de 128 células, bastante  utilizadas por favorecer um melhor desenvolvimento das raízes. Embora existam vários tipos de substratos, os destinados à produção de hortaliças, como o plantimax, são os mais indicados. 

COMO ADUBAR A SEMENTEIRA? 

Aproximadamente 8 dias antes da semeadura, recomenda-se incorporar 5 L/m2 de esterco bem curtido e peneirado, adicionados a 100 a 150g/m2 de superfosfato simples ao solo, o qual deverá permanecer úmido para acelerar a fermentação da matéria orgânica. A adubação em cobertura não é recomendada na sementeira. Caso ocorra clorose das plantas, aplicar 10g/m2 de sulfato de amônio ou 5g/m2 de uréia. 

COMO DEVE SER REALIZADA A IRRIGAÇÃO DA SEMENTEIRA? 

A irrigação deve ser realizada duas vezes por dia até a germinação. Após a emergência e até 10 dias antes do transplante, deverá ser reduzida para uma vez por dia. As regas também devem sofrer redução cerca de 12 dias antes do transplante, pois esse estresse contribuirá para a formação de mudas mais fibrosas e resistentes. Algumas horas antes do transplante, recomenda-se uma rega intensa nos canteiros para garantir a turgescência completa da planta e boa aderência do solo às raízes. 

QUANDO E COMO DEVE SER FEITO O TRANSPLANTE? 

O transplante deve ser realizado quando as mudas apresentarem 4 a 5 folhas definitivas, o que ocorre em aproximadamente 25 dias após o semeio. Durante a retirada das mudas para o transplante, deve-se tomar cuidado para não danificar muito o sistema radicular. Recomenda-se o plantio em linhas simples no espaçamento de 1,70m x 0,40m, deixando-se uma planta por cova, no caso do destino mesa; e duas plantas, para a finalidade indústria, enterrando-as firmemente até a altura das folhas cotiledonares. No caso do plantio em sulco, as mudas  devem ser transplantadas na altura da linha de água do mesmo. 

 PARA QUE SERVE E QUANDO DEVE SER FEITA A AMONTOA? 

Nos plantios conduzidos sob irrigação por sulco, a operação de mudança de sulco (amontoa) é uma prática muito importante, devendo ser realizada em três etapas: aos 10, 30 e 50 dias após o transplante, coincidindo com as adubações em cobertura. Essa prática favorece a emissão de raízes superficiais na porção basal do caule, resultando em ramos mais vigorosos e, conseqüentemente, maior produção. 

QUAL O SISTEMA DE IRRIGAÇÃO RECOMENDADO? 

O sistema de irrigação por sulcos é o predominante em todas as áreas de produção de tomate rasteiro, embora o sistema de gotejo, apesar de pouco difundido, seja o mais eficiente em termos de garantia de maior produtividade com qualidade e economia de água. No sistema predominante, a irrigação deve ser feita por sulcos com declividade média de 25%. A quantidade de água e os turnos de rega, devem ser calculadas por um técnico especializado, pois dependem do solo e do clima local. 

COMO FAZER A ADUBAÇÃO? 

A adubação de fundação, pode ser feita em covas ou em linha contínua no fundo do sulco. Porém, na impossibilidade de análise, recomenda-se 500 a 600kg/ha na fórmula 6-24-12. Aos 10 ou 12 dias após o transplante, deve ser realizada a primeira adubação em cobertura com 50kg/ha de nitrogênio (fonte sulfato ou uréia), para acelerar o desenvolvimento das mudas; e outras duas, aos 30 e 50 dias após o transplante, utilizando 200kg/ha da fórmula 20-00-20 para cada aplicação, seguidas de amontoa profundas para evitar o contato da água com o colo da planta.  

COMO CONTROLAR AS PLANTAS INVASORAS? 

O método de controle de plantas invasoras mais empregado é o de capina manual periódica. Porém, em grandes áreas, o controle pode ser feito pela aplicação de herbicidas.  Recomenda-se o herbicida SENCOR (0,5L/ha, para solos mais leves e 1,0L/ha, para solos mais pesados), antes do transplante ou pós-transplante (8 a 12 dias após transplante). Se houver reinfestação de plantas invasoras de folhas estreitas, recomenda-se a aplicação de TARGA 50CE  (1,0L/ha  ou cerca de 20mL/20L de água) em qualquer fase da cultura. 

QUAIS AS PRINCIPAIS PRAGAS E DOENÇAS? 

No Vale do São Francisco, as pragas constituem-se em maior problema. As mais importantes são: a traça, o microácaro (ácaro do bronzeamento), o minador das folhas, a broca pequena, a mosca-branca e o trips, sendo as duas últimas, os agentes transmissores das viroses conhecidas como geminivírus e vira-cabeça. Quanto às doenças, pode-se ressaltar as fúngicas, como a alternaria, a septoriose e a fusariose do tipo raça II; e as provocadas por bactérias, tais como a murcha bacteriana (murcha verde) e a mancha bacteriana  (comum em plantios em solo arenoso sob sistema de irrigação por aspersão).   

COMO CONTROLAR AS PRAGAS E AS DOENÇAS? 

A necessidade do uso de defensivos no controle de pragas e doenças é imprescindível. No entanto requer orientação de um responsável técnico para que não seja procedido de forma antieconômica e indiscriminada, o que resulta em graves prejuízos ao homem e  ao meio ambiente. No caso da mosca-branca e trips, o controle deverá ser preventivo desde a fase de sementeira. As pulverizações para controle do vira-cabeça devem ser realizadas a cada 5 ou 7 dias, até os 40 dias após o transplante; e para o controle do geminivírus, até os 60 dias após o transplante. Este controle é eficiente também em áreas onde a broca pequena não causa danos significativos. O micro-ácaro é controlado pelo uso de acaricidas específicos, aplicados 20 dias após o transplante, com intervalos de 20 dias. O calendário de pulverizações,  é apresentado como sugestão para controle das principais pragas e doenças que ocorrem  na   região  (Tabela 1) 

QUANDO DEVE SER FEITA A COLHEITA? 

Para o mercado mesa, a colheita geralmente se inicia aos 75 a 80 dias após o transplante, quando os frutos aparentam uma coloração rosada. No caso do destino indústria, recomenda-se a suspensão da irrigação cerca de 15 dias antes da colheita (aproximadamente 100 dias após o transplante), visando à concentração da colheita e melhoria do brix.  

QUAL O RENDIMENTO ESPERADO? 

Com a utilização das tecnologias recomendadas, a produtividade média  esperada está em  torno de    80t/ha. Entretanto o potencial produtivo das variedades indicadas excede 100 t/ha.

QUAL O CUSTO PARA IMPLANTAÇÃO DE UM HECTARE? 

O custo de implantação de um hectare é estimado em R$ 6.000,00 (equivalentes a US$ 2.090).

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